Vacinação do bebê:
os casais precisam se preparar

É comum os casais se prepararem economicamente para algumas despesas com os bebês, como fraldas, objetos de decoração etc. Mas os gastos com as novas vacinas têm colhido muitos de surpresa. Nos últimos cinco anos, várias vacinas importantes foram desenvolvidas e ainda não fazem parte do Calendário Vacinal do Sistema Único de Saúde.
No entanto, são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, o que leva os pediatras a prescrevê-Ias. Essas vacinas têm custo muito superior às antigas e muitas vezes superam as possibilidades imediatas da família.
Várias estratégias criativas têm sido desenvolvidas pelos pais: solicitar as vacinas como presente para os avós e padrinhos ou economizar na festa de aniversário de um ano de idade (na verdade pouco aproveitada pela criança) são alguns dos exemplos. São estratégias interessantes, já que é difícil imaginar algo mais prioritário do que a saúde quando pensamos no bebê. Porém, talvez fosse menos desgastante e mais eficaz que os pais tivessem noção desses custos para se planejarem melhor.
Essa atitude poderia ser iniciada por uma consulta com o futuro pediatra da criança ou com outro especialista, que podem fornecer a lista das vacinas que a família precisará aplicar em clínicas privadas. Com essa relação em mãos, os pais devem então consultar um serviço de vacinação de confiança desse especialista para um orçamento aproximado.
É importante que a decisão sobre onde vacinar o bebê seja baseada em confiança e não apenas em preço, já que as vacinas são artigos frágeis, que necessitam ser adequadamente conservadas e aplicadas.
No primeiro ano de vida, destacam-se as chamadas vacinas conjugadas. Essas vacinas protegem contra infecções graves (meningites, pneumonias e septicemias), causadas por um grupo de bactérias que na natureza possuem uma cápsula de proteção. Um delas, a vacina conjugada contra a bactéria Haemophilus influenzae, já faz parte do calendário público, compondo a vacina Tetravalente. Mas, infelizmente, outras duas vacinas muito eficazes, uma contra a Neisseria meningitidis do soro grupo C e outra contra sete sorotipos de Streptococcus pneumoniae, precisam ser aplicadas em elevadas doses, em clínicas privadas, diminuindo principalmente o risco de ocorrência de meningites bacterianas.
No segundo ano de vida, além das doses de reforço das anteriores, é a época de aplicação das vacinas contra a varicela e contra a hepatite A. A varicela (ou catapora), embora benigna na maioria das crianças, pode complicar-se com infeções bacterianas e neurológicas. Da mesma forma, a hepatite A é benigna na maioria das crianças, mas é a causa mais comum de transplante hepático motivado por doença aguda no Brasil.
Outro aspecto importante é que algumas vacinas disponíveis em clínicas privadas, semelhantes àquelas oferecidas pelo SUS, são menos reatogênicas, diminuindo o desconforto da criança. Portanto, aconselha-se aos casais grávidos que se preparem para todos esses aspectos, principalmente buscando informar-se com antecedência.

José Geraldo Leite Ribeiro
Responsável Técnico pelo Departamento de Vacinas do Inst. Hermes Pardini
Pediatra e Infectologista