Acabou a licença maternidade. E agora?

No Brasil a licença maternidade dura 120 dias e podemos dizer que este direito está diretamente relacionado um período especial no qual, mãe e filho desenvolvem um vínculo intenso de amor e cumplicidade.
A partir do momento em que se corta o cordão umbilical, novas rupturas virão pela frente na vida da mãe e do bebê. E é o que acontece quando a licença termina: ocorre a segunda e talvez mais dolorosa separação. Essa dor, principalmente por parte da mãe é inevitável, pois remete a um profundo sentimento de perda. É como se tivessem arrancando uma parte de si. Os primeiros dias fora de casa tendem a ser mais difíceis. Neste momento afloram sentimentos de culpa, solidão, aflição, dúvida, desamparo e uma certa “não aceitação” do fato de precisar voltar ao trabalho.
Geralmente estas reações não aparecem em nível consciente e precisam de tempo para serem assimiladas e compreendidas. Toda mudança traz consigo a ansiedade do desconhecido e a necessidade de reorganização. Para que este período de transição seja vivido de forma mais tranqüila é aconselhável que os pais se preparem e planejem antecipadamente. Conversem sobre suas angústias e dúvidas e tomem decisões em conjunto. Ter confiança e estarem convencidos que o bebê ficará com alguém capaz de cuidar bem dele é um fator importante que ajuda a acalmar neste momento.
A dor da separação é um problema primeiramente dos pais, e a forma como eles irão lidar com a situação, refletirá diretamente nas reações do bebê. Passados os primeiros momentos, pais e criança aprenderão a lidar com a separação de forma saudável e se acostumarão melhor com a nova rotina. Com isso terão a certeza de que o filho não deixará de ser íntimo por estar por um determinado período fisicamente distante. O que realmente faz a diferença é aproveitar ao máximo o tempo que se está junto.

Alessia Leone
Psicóloga Clínica