A autonomia de uma criança inicia-se com um vínculo de confiança que esta estabelece com os pais. Conseqüentemente, o desenvolvimento de uma autonomia doméstica bem sucedida tem seu início desde cedo.
Durante os meses iniciais a qualidade das primeiras conversas depende da maneira pela qual os pais se comunicam com o bebê. É importante enquanto se fala, olhá-lo bem de frente e segurar sua nuca firmemente para que ele se sinta protegido. Nesta interação com o bebê é interessante aprimorar o vínculo afetivo associando à fala, carícias, beijos, toques e olhares com a finalidade de manter contato e demonstrar afeto. Lembre-se de que o afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções em geral e que tudo isto facilitará o relacionamento futuro. À medida que as crianças crescem, é importante continuar falando com elas, para ajuda-las a expandir sua visão de mundo. Converse com seu filho sobre os acontecimentos na escola, programas de televisão, de seus próprios sentimentos.
É muito importante para o bem estar emocional de uma criança a capacidade de perceber a realidade, de acreditar na percepção. Admitir uma falha, ou uma dificuldade, concordar que é verdade quando de fato o for, permitir que se vá aprendendo a lidar com a realidade e a discernir o verdadeiro do falso, é criar um vínculo de confiança entre pais e filhos.
A honestidade e a integridade são as bases da confiança, algo fundamental para o estabelecimento de um bom relacionamento com a criança, para discussão aberta dos ensinamentos ou valores.
Muitas vezes, porém, vivemos tão presos aos problemas do dia-a-dia e influenciados por respostas tais como: “Eu cansei de avisar...”; “Não era assim no meu tempo...”; “Quando eu tinha a sua idade...”; que acabamos criando um grande abismo entre nossos filhos e nós. E o modo como nos relacionamos com eles diariamente acaba não tendo relação alguma com o modo como nos sentimos em relação a eles.
Os pais devem estar preparados para ouvir as mais variadas coisas dos filhos, inclusive as que forem contra seus princípios. E nestes casos, evite
comportamentos autoritários ou superprotetores. As conseqüências desses dois tipos de “maternagem” podem contribuir, e muito, para o desenvolvimento de traços de personalidades dependentes, de crianças e futuros adultos que não se sentem seguros longe da orientação e proteção dos outros; e acabam aprendendo também que a única maneira possível de manter as relações afetivas é a submissão.
Não se deve concordar com tudo o que os filhos dizem, mas devemos escutar sem recriminar e nem ter uma atitude exacerbada. Isso favorecerá que as crianças se sintam mais seguras em serem honestas e autênticas, além de sentirem que são amadas integralmente pelos pais e não apenas em seus aspectos positivos.
Não é fácil ter paciência, mas como estamos aqui, buscando construir um vínculo saudável com nossos filhos, aprender a simplesmente escutar, sem julgar ou dar um sermão sempre que o filho comece a falar, faz-se necessário. Tente apenas escutar seu filho e o compreender. Deixe que sua criança perceba sua preocupação e interesse por ela. Você pode estar investindo sua atenção em uma atividade altamente prioritária, quando seu filho menor o interrompe com algo que lhe parece trivial, mas que pode ser muito importante do ponto de vista dele. Ao interromper seu trabalho e direcionar sua atenção a ele, você estará aceitando o valor que sua criança coloca no que você tem a dizer e demonstra que você a compreende, e isso equivale a um grande avanço na construção de uma relação fraternal saudável.
Na verdade, não existem soluções rápidas. Construir e arrumar relações são investimentos a longo prazo.
Extrado do livro - Como Educar meu fiho e torná-lo independente
Carla Cruz