A chegada do irmãozinho

O nascimento do segundo filho sempre traz preocupações quanto à possibilidade do primeiro filho sentir ciúmes do irmão que está por vir. Este "ciúme infantil" é um sentimento que não pode ser evitado completamente nas famílias, representando um estado relativamente normal no desenvolvimento da criança.
Diante do nascimento de um novo irmãozinho, a criança sente que o mundo inteiro está interessado em outro ponto que não é ela. Se vê abandonada, acreditando que não lhe querem mais bem. Nesta situação, é necessário que ela seja acolhida e cuidada.
O comportamento explicitado pelos primogênitos nessa situação varia de criança para criança. Enquanto uns ficam nervosos e agressivos, outros se mostram tímidos ou chorões. Há ainda os que apresentam atitudes regressivas como fazer xixi na cama, chupar o dedo, não comer sozinho, utilizar linguagem ou tom de voz infantilizado, como se quisessem ser novamente bebês para garantir o amor dos pais frente à ameaça de perdê-los com a chegada do irmão.
Algumas medidas podem ser tomadas para facilitar a passagem dos filhos por essa etapa da vida. A primeira delas é fazer com que a criança saiba com antecipação que vai ter um irmão, para ir se acostumando com a idéia. A partir de então, é bom envolvê-la nos preparativos para a vinda do irmão, deixando-a sugerir nomes ou levando-a a um exame de ultra-som. É importante descrever detalhes de como aconteceu a espera e a preparação para a sua chegada, mostrando-lhe fotos de quando ela nasceu. Isso a fará sentir-se como uma parte do processo.
Uma atitude essencial a ser tomada é realizar todas as mudanças na vida do irmão mais velho antes do nascimento do segundo filho. Assim as perdas não serão correlacionadas à chegada do novo bebê. O momento adequado para mudança de quarto, retirada de fraldas, desmame, ingresso na escola infantil, etc. é antes de o bebê nascer. Após o nascimento, é aconselhável fazer com que o irmão mais velho participe dos cuidados com o recém-nascido para ele sentir que a criança também lhe pertence. Atribuir-lhe responsabilidades sobre o irmão também ajuda na integração.
Para elevar a auto-estima da criança, potencialize suas qualidades e as vantagens de ela ser a mais velha. Com isso é possível conceder-lhe alguns "privilégios" pelo fato de ser maior como se deitar um pouco mais tarde ou ir com os pais em lugares que seu irmão não pode ir ainda. É fundamental também que a criança receba manifestações de carinho na presença de seu irmão menor.
A forma como os pais se comportarão com a vinda do novo bebê irá influenciar diretamente na maneira como o mais velho irá lidar com a situação. A paciência será imprescindível, pois o ciúme é uma reação emocional normal e tem de ser resolvido com muito diálogo e compreensão. É fundamental não ignorar os sentimentos da criança, oferecendo-lhe momentos de escuta, nos quais ela possa verbalizar o que sente, sem recriminações. É importante deixar claro que é natural ter sentimentos ruins em relação ao irmãozinho que está para chegar ou que já chegou. Desta forma a criança se sentirá compreendida, aliviando, assim, sua culpa.
Por mais que os pais e a criança estejam bem preparados é difícil eliminar por completo o sofrimento dos filhos mais velhos. Entretanto, o que se pode fazer é ajudá-los a vivenciar da melhor maneira possível essa nova situação, garantindo-lhes sempre a certeza do amor materno e paterno.

Alessia Leone
Psicóloga Clínica
CRP 04/24724