Papai diz sim e
Mamãe diz não

O cuidado e a educação de um filho se baseiam em várias escolhas que os pais têm que tomar ao longo de seu crescimento. Muitas escolhas são divergentes pelo simples fato dos pais serem pessoas diferentes. Cada um traz sua história, valores e crenças familiares que buscam, de uma forma quase automática, repetir o que aprendeu durante sua vida.
Em minha vivência como terapeuta familiar, observo como a constituição da relação do casal influencia nas decisões na educação de seus filhos. Se o casal mantém uma estrutura de competição entre eles, seja profissionalmente ou no cuidado com a casa, é grande a probabilidade que irão fazer o mesmo na criação de seus filhos. Divergir é normal e até saudável, mas a disputa vem acompanhada com verdades absolutas, não havendo espaço para negociações e conversas.
O aprendizado da criança tem como referência os ensinamentos dos pais. Ela precisa de respostas para as suas dúvidas, ser direcionada e saber o que é certo e o que é errado. Quando os pais não entram num consenso e/ou desautorizam um ao outro na educação de seus filhos, começa um grande problema. Havendo ambivalência nas decisões para as demandas infantis iniciará uma confusão na cabecinha da criança. Não sabendo a quem obedecer, além de não obter uma resposta objetiva para suas questões e sem referência de autoridade, ela aprende a não ter limite, a ser manipuladora (usa as divergências para proveito próprio) e desrespeitosa. A criança percebe através dos comportamentos dos pais o não reconhecimento do outro e que não se deve abrir mão dos seus desejos.
Quando houver uma discordância de opiniões entre os pais elas deverão ser negociadas e discutidas longe da presença do filho. Em caso de mudança de opinião ou decisão, a mesma deverá ser comunicada ao filho pela pessoa que tomou a anterior e explicado o porquê da nova postura. As crianças precisam de informações claras e coerentes para se tornarem adultos que consigam negociar ou debater suas opiniões e, consequentemente, seguros para tomarem suas próprias decisões.

Cristiana Araújo Ottoni
Psicóloga / Psicoterapeuta